Wednesday, October 22, 2014

Chile – De La Serena a Chañaral

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Essa parte da estrada foi a mais complicada e provavelmente a mais eclética. Pegamos cerca de 200 km de estrada de serra em mão única sendo duplicada, sem a menor possibilidade de ultrapassagem. Também não existia acostamento para que pudéssemos dar uma paradinha para tirar fotos, e passamos por paisagens que deram dó de passar reto. Foram paisagens de cactus, de pedras, de terra, de mar... de todos os jeitos que você puder imaginar. E os cactus floridos... tão lindos...

Flor de cactus

Mas fomos indo, devagar, estávamos sem pressa, o carro era bom, tudo estava indo bem exceto pelo cabo que ligava o nosso mp3 player ao som do carro que havia desaparecido. Sim, havíamos feito uma seleção de músicas especialmente para a viagem e conseguimos perder o cabo no nosso segundo dia. Gênios. A nossa sorte é que havia alguma música nos nossos celulares, então conseguimos nos virar com o que tínhamos. Mas quem conhece bem um de nós dois sabe quão grave esse problema era.

Foi chegando quase 17h, ainda não havíamos almoçado e o destino final ainda estava longe. Isso porque era um dos trechos mais curtos da nossa jornada, apenas 370 km e nós já estávamos há cerca de 8 horas na estrada. Chegamos em Copiapó, que ainda fica a 160 km de Chañaral, e decidimos parar para abastecer o carro e almoçar. Mas àquela hora seria bem difícil achar restaurantes abertos. Então paramos na primeira lanchonete que encontramos, que era bem razoável e não tinha guacamole no lanche (eles têm mania de colocar guacamole em todos os lanches, é bem esquisito), comemos rapidinho e botamos o pé na estrada.

Atacama
Algumas horas depois estávamos chegando no Atacama. "Ahn?", você me pergunta. É, bom, na verdade lá em Copiapó nós já estávamos. Nem todo mundo sabe, assim como eu demorei muito tempo pra entender, que o Atacama não é só aquele pedacinho que fica em São Pedro de Atacama. O deserto do Atacama é uma macro região que se estende desde aqui embaixo em Copiapó e vai até lá em cima no Peru (alguns defendem que vai até lá, outros que acaba no Chile). Mas independente de onde acaba, o que interessa é que ele é gigante, e que a região que realmente recebe o nome de Atacama é a região onde fica Chañaral, cidade onde passamos a noite, e cuja capital é Copiapó. Se quiser entender um pouquinho sobre essa história de como são as divisões de regiões do Chile, dá uma olhada nesse link do Wikipedia que está bem legal. San Pedro de Atacama fica na região de Antofagasta.

Chañaral
Essa é a cidade mais esquisita que eu já conheci. Começando porque logo na entrada da cidade tem 3 tanques gigantescos, como daqueles de petróleo da petrobrás, só que de ácido sulfúrico. Esses tanques ficam bem pertinho do mar, onde tem várias placas de sinalização de rotas de escape para o caso de tsunami. Oi? Devo me preocupar também com os tanques de ácido sulfúrico em caso de tsunami, ou só com o tsunami? Essas placas existem em todo o litoral, mas só Chañaral vi tanques como esses. Vou tentar conseguir as fotos com o meu irmão.

Chegando em Chañaral

Na segunda vez que nós ficamos nessa cidade, na volta para Santiago, uma coisa muito engraçada aconteceu. Estávamos muito cansados e estressados porque não tinha sido uma viagem fácil e havíamos nos perdido na cidade, e quando finalmente conseguimos chegar e nos instalar no quarto, começamos a ouvir uma sirene muito, mas muito alta. Aquelas sirenes mecânicas tipo de bombeiro, em que você só consegue entender "f***u!" Eu e ele nos olhamos e pensamos "É tsunami!!!". Deve ser algum alerta pra cidade pra correr pro alto, só pode ser. Corremos pra janela pra saber o que o pessoal da cidade estava fazendo, se estava se escondendo em casa, se estava saindo correndo, enfim, pra gente poder fazer igual. Vimos algumas pessoas paradas na rua, tranquilas, aí a gente ficou mais tranquilo também. Depois ficamos sabendo que era acidente de caminhão na estrada. A cidade tem um sistema de alerta que deve avisar todos os socorros (bombeiro, ambulância, polícia), já que eles têm muitas substâncias tóxicas. Mas devo confessar que o susto foi grande. Já pensei que eu fosse morrer no Chile, e de pijama! hehe

Parque Pan de Azucar
Depois de sobreviver a um tsunami que nunca aconteceu, nós acordamos cedinho no dia seguinte para continuar nossa viagem. A ideia era continuar a caminho de Antofagasta, mas no meio do caminho paramos no Parque Pan de Azucar, que fica bem pertinho de Chañaral. Eu queria ir lá, mas não tinha a menor ideia do que encontrar. Sabia que tinha algumas pinguineiras, mas no final das contas os barcos não estavam lá para nos levar. Aliás, o dia estava tão feio, mas tão feio, que só havíamos nós no parque. Literalmente.

Esse parque normalmente as pessoas vão com guias. Nós quisemos ir por conta mas acabamos nos arrependendo. Um pouco porque queríamos economizar (o guia cobrava muito caro, acho que 20 e poucos mil pesos por pessoa) e um pouco porque não sabíamos direito o que era o parque, e não sabíamos se era necessário. Resolvemos arriscar. Mas existem áreas lá que só se entra com guia, e acho que muita coisa lá só se entende o que é se alguém te explica. O Parque é uma enormidade (acho que eu criei um neologismo aqui?) de grande, e é muito bonito, fica à beira mar, mas como eu disse, o dia estava feio e perdeu metade do encanto.

É possível acampar lá, mas custa uma fortuna. Se eu não me engano, sai em torno de 60 mil pesos a noite. Também tem uns quiosques, dá pra fazer uns picnics, tem churrasqueira e tudo mais. Mas é um baita vento e aquele vento polar gelado. Leve casacos.

Apesar de não ter conseguido ver tudo, eu não me arrependo de ter ido. Achei o parque muito bonito, e achei que valeu a visita. O Thi fez mais fotos lá do que em qualquer outro lugar, eu acho. Então eu fiquei feliz por ele também.

Fotos: Thiago Ventura (Flickr)

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