Thursday, October 30, 2014

Chile – de Chañaral a Calama

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Antofagasta, apelidada por nós carinhosamente de Mafagafinhos, foi a pior parte da viagem. Não digo da estrada. Seriam apenas cerca de 370 km de Chañaral até Antofagasta, que se transformaram em 400 por causa de um desvio que tivemos que fazer por causa de combustível. A rota planejada seria continuar até o final pela Ruta 5, mas vimos que teríamos que parar para abastecer. A cidade mais próxima era Taltal, uma cidadezinha litorânea sem muito a acrescentar. De lá, tínhamos duas opções: voltar para a ruta 5, ou continuar pelo litoral até Antofagasta. Escolhemos a segunda, obviamente, afinal a vista era muito mais bonita. Mas nós fomos enganados (não me lembro se pelas placas ou se pelo GPS), e no meio do caminho entramos em uma estradinha secundária que seguia entre o litoral e a Ruta 5, bem tranquila, quase sem movimento, mas ainda assim com asfalto bom. O problema é que não se via um posto de gasolina em nenhum lugar próximo nem distante, assim como nenhuma cidade à vista. Seria meio redundante dizer que o lugar parecia um deserto, porque... bem, estávamos em um. Acho que ali foi o lugar que mais me passou a sensação de deserto, mesmo.

Na estrada

A viagem durou aproximadamente 10 horas. Sim, tudo isso. Porque foi aquele esquema de sempre: fomos devagar, parando, paramos para almoçar, para tirar fotos, para fazer xixi e tal. Quando chegamos em Mafagafinhos, digo, Antofagasta, já eram cerca de 19h.

Antofagasta

Ao chegar lá, achamos que a cidade era legal. Ela é uma cidade litorânea, cuja entrada é bem à beira do mar. Acho que nós entramos pelo lado rico da cidade, e tivemos uma impressão legal. Tendo acabado de chegar de Chañaral, que era aquela cidade super esquisita (embora com todo seu charme), a gente estava feliz de chegar em um lugar mais bem estruturado, cheio de hotéis e restaurantes, e sei lá, tudo mais que a civilização pode te oferecer. Mas o sonho durou pouco. Quando paramos no hotel que eu havia selecionado, o Astore Hotel, nós levamos o primeiro choque. O hotel era horrível. Por fora ele era um prédio verde bizarro, e o hotel em si ficava em apenas um andar desse prédio. Totalmente esquisito. Estacionamos o carro e subimos, mas não havia vaga. Então decidimos parar no Ibis, que havíamos passado quando chegamos na cidade. Foi o segundo choque. O Ibis, que costuma ser barato, estava custando uma fortuna. 56 000 CLP. Isso dá mais de R$ 250. Por uma noite! No Ibis! Não, gente, não dava. Então saímos à procura de um hotel mais barato. O que eu vou dizer agora não é força de expressão: passamos DUAS horas rodando a cidade procurando um hotel. Todos lotados. Meu deus, o que acontece com essa cidade?? O que ela tem de tão especial? OK, pra não dizer que estavam todos lotados, achamos um que tinha vaga. Custava U$S 300. Isso, dólares. Mais de R$ 600 por uma noite. Resolvemos voltar no Ibis, e eles nos deram a infeliz notícia de que não só eles são o mais barato da cidade (!!) como eles não tinham vaga. Claro, né?

Bom, a essa altura nossos ânimos já estavam super alterados. Cansados de 10 horas de viagem e mais 2 circulando por uma cidade sem graça (porque a essa altura a gente já tinha se ligado que aquilo de legal que a gente viu quando chegou era só fachada), decidimos parar para jantar e esfriar a cabeça. Na ânsia de querer resolver logo a questão, paramos no primeiro restaurante que parecia decente. O que a gente não se deu conta é que ele também custava uma fortuna. Tudo o que eu me lembro é que era um restaurante peruano, e que a comida estava até que boa, mas não era nada de outro mundo. E também me lembro de ter pago muito dinheiro por ela. Mas entendi aquilo como um presente por todo o stress da noite, e que a gente merecia relaxar um pouco e comer bem.

De barriga cheia e cabeça fria, era hora de decidir nosso destino: dormir no carro ou dirigir até a próxima cidade? "Garçom, por favor, qual é a próxima cidade e quanto tempo leva pra chegar lá?" "Seria Calama, fica a 200 km. Em 3 horas você chega". Tá decidido. No carro eu não durmo, o que são 3 horas pra quem já dirigiu 12? E realmente, os 200 km pareceram 500 metros.

Calama

A parte legal dessa história toda é que a gente conseguiu ver o céu à noite longe das cidades pela primeira vez. Paramos o carro e ficamos observando as estrelas. Não era a mesma coisa do que se tivesse sem lua, mas foi gostoso mesmo assim. Um momento de paz depois de um dia tão conturbado.

Chegamos em Calama já de madrugada. Devia ser 1 ou 2 da manhã. Naquela cidade desértica, como encontrar um hotel? Depois de nos perdermos um pouquinho na cidade, encontramos um hotel razoável (não me lembro o nome) com um preço justo, e finalmente eu tive minha recompensa: uma cama quentinha!



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